
O Projeto Vida Saudável Real não nasceu de um plano de negócios.
Não nasceu de uma estratégia de marketing.
Não nasceu de um corpo perfeito.
Nem de uma vida organizada.
Nasceu de um homem cansado.
Um homem doente.
Um homem perdido.
Um homem que percebeu que estava morrendo aos poucos enquanto fingia que estava tudo bem.
🎵 O Corpo Também Escuta
Durante muito tempo procurei culpados para aquilo que me tornei.
A vida.
As pessoas.
As dores.
Os abandonos.
As perdas.
Até perceber uma verdade difícil:
antes de qualquer outra pessoa me abandonar…
eu já havia me abandonado fazia muito tempo.
Nasci em uma família simples do interior de Minas Gerais.
Meu pai trabalhava na roça administrando fazenda.
Minha mãe cuidava da casa, dos filhos e da fé.
Minha mãe era acolhimento.
Meu pai era dureza.
Hoje entendo que ele não era um homem mau. Apenas carregava dentro dele a educação brutal que recebeu da vida. Ele gritava, exigia, endurecia. Achava que estava preparando os filhos para sobreviver.
E talvez estivesse.
Naquele tempo, homem não chorava. Afeto era quase tratado como fraqueza. Até hoje existe em mim uma dor silenciosa por nunca ter conseguido abraçar meu pai da forma que gostaria.
Mas hoje sei que ele me amava do jeito que sabia.
Desde cedo gostei de aprender.
Entrei na escola antes da idade porque simplesmente não aceitava ficar de fora. Também descobri cedo outra característica minha: eu gostava de criar caminhos.
Enquanto outros meninos disputavam clientes na praça engraxando sapatos, negociei com o dono de um hotel para recolher os sapatos dos hóspedes de madrugada, engraxar em casa e devolver antes do amanhecer.
Ali já existia o empreendedor.
Ao longo da vida trabalhei com muita coisa.
Comércio.
Lavoura.
Caminhão.
Vídeo.
Televisão.
Marketing.
Planos de saúde.
Vendas.
Sempre enxerguei que o mundo inteiro funciona através das trocas entre pessoas.
Mas enquanto aprendia a produzir para fora… me destruía por dentro.
Comecei a fumar ainda criança. A bebida também chegou cedo. Naquela época, isso era quase tratado como símbolo de masculinidade.
Casei muito novo, aos 19 anos, depois que minha namorada engravidou. Achei que estava fazendo a coisa certa. E talvez estivesse, dentro da mentalidade que tinha na época.
Tive três filhos, Que são o que de mais importante eu tenho na vida. Por eles eu faria tudo de novo se fosse preciso.
E depois de todas as perdas, erros, dores e reconstruções da vida… percebi que eles continuam sendo as coisas mais preciosas que tenho no mundo.
Hoje, junto deles, também existem meus netinhos.
E são exatamente eles algumas das razões mais profundas pelas quais continuo me reconstruindo
Quando meu casamento acabou, me senti abandonado, injustiçado e revoltado.
Mas anos depois percebi que aquela não era a verdadeira história.
A verdade era mais profunda:
eu já havia me abandonado muito antes.
Durante muitos anos criei versões de mim mesmo para suportar minhas dores.
Escondia medos.
Inventava força.
Disfarçava fracassos.
Tentava parecer melhor do que realmente me sentia.
Talvez porque desde cedo acreditasse que precisava ser perfeito para merecer valor.
E viver fugindo da verdade cobra um preço.
Comida também sempre foi uma das minhas maiores dificuldades.
Mas não comida de verdade.
Meu problema era usar comida como anestesia emocional.
Eu me empanturrava.
Muito carboidrato. Muito excesso. Muito impulso. Muitas escolhas feitas não por fome… mas por vazio, ansiedade, frustração ou compensação emocional.
Com o tempo, aquilo foi deixando de ser prazer e começou a virar prisão.
A atividade física também nunca fez parte da minha vida de forma consciente.
O exercício que existia vinha do trabalho pesado, da correria, da sobrevivência.
Cheguei a frequentar academia durante um período, mas olhando hoje com sinceridade, percebo que muitas vezes aquilo era mais um desencargo de consciência do que transformação real.
Treinava… e depois ia beber cerveja e comer petiscos gordurosos como recompensa.
Era como tentar apagar incêndio jogando gasolina aos poucos.
No fundo, eu não estava cuidando do corpo.
Estava apenas tentando aliviar a culpa sem mudar de verdade.
Depois da separação mergulhei em promessas e respostas que pareciam aliviar minhas dores. Passei um tempo acreditando que alguma força externa mudaria minha vida por mim.
Mas com o tempo entendi algo duro:
arbítrio não se terceiriza.
Ninguém pode viver, decidir ou se reconstruir no lugar de outra pessoa.
Foi doloroso perceber isso. Mas também libertador.
Porque se minhas escolhas me trouxeram até ali… novas escolhas também poderiam me levar para outro lugar.
Até que, em 2016, encontrei a 1FICINA e o trabalho de Marcelo Ferrari.
Ali começou uma das maiores viradas da minha vida. Eu costumo dizer que foi um divisor de águas na minha vida. Eu antes, eu depois.
Não encontrei alguém dizendo que o universo entregaria tudo o que eu desejasse.
Encontrei confronto.
Responsabilidade.
Consciência.
Passei noites chorando. Passei noites sem dormir. Descobri quantas histórias contava para mim mesmo para não encarar a verdade.
Mas junto da dor veio algo poderoso:
se minhas escolhas me trouxeram até ali… novas escolhas também poderiam me levar para outro lugar.
Foi nesse processo que nasceu aquilo que hoje chamo de autoconhecimento confrontador.
Aprendi que:
Quem não se põe para fora, fica preso por dentro.
E foi assim, lentamente, que uma nova versão de mim começou a surgir.
Não perfeita.
Não pronta.
Mas consciente.
Mais tarde também me formei em marketing digital.
Aprendi sobre persuasão, desejo, comportamento humano e vendas.
Mas quanto mais entendia o funcionamento do marketing… mais desconfortável ficava com parte do que via.
Percebi que muitas vezes o marketing não era usado para ajudar pessoas.
Era usado para empacotar vazio com aparência de valor.
Criar ansiedade.
Criar sensação de insuficiência.
Transformar exagero em necessidade.
Não queria usar conhecimento para transformar ilusão em produto.
Queria usar comunicação para gerar consciência.
Mostrar armadilhas.
Mostrar manipulações.
Mostrar como muitas vezes tentamos consumir para preencher vazios emocionais que não são materiais.
E talvez tenha sido ali que comecei a entender que este projeto jamais poderia nascer como mais uma promessa bonita de internet.
Ele precisava nascer da verdade.
Então veio 2026.
Diabetes descontrolada.
Pressão altíssima.
Risco cardiovascular grave.
O cardiologista foi direto:
Eu poderia ter um AVC ou uma parada cardíaca a qualquer momento.
Naquele instante entendi que não dava mais para negociar comigo mesmo.
Ou mudava…
ou provavelmente morreria.
E foi exatamente ali que nasceu o Projeto Vida Saudável Real.
Não como marca.
Não como personagem.
Não como fórmula.
Mas como uma tentativa honesta de reconstrução.
Reconstrução da saúde.
Da dignidade.
Da verdade.
Da vontade de viver.
Quando comecei o projeto, ele era apenas para mim.
Era um plano pessoal de sobrevivência.
Precisava recuperar minha saúde. Precisava recuperar minha vida.
Mas conforme os dias passaram, comecei a perceber uma coisa:
talvez o meu processo pudesse ajudar outras pessoas também.
Não porque eu tenha respostas prontas.
Não porque eu seja perfeito.
E muito menos porque queira convencer alguém.
Respeito o arbítrio.
Cada pessoa possui seu tempo, suas dores, suas escolhas e suas consequências.
O Projeto Vida Saudável Real não existe para forçar ninguém a mudar.
Existe apenas para mostrar, da forma mais honesta possível, o caminho que estou percorrendo.
Se isso despertar alguém… ótimo.
Se ajudar uma única pessoa a recuperar a própria vida… já terá valido a pena.
Porque mudança real não nasce da pressão.
Nasce da consciência.

